A Cachoeira do Rosário tem a maior queda livre da região! São 42 metros de queda, finalizando em uma pedra, onde você chegará facilmente e terá um banho incrível embaixo da cachoeira.
Imagine-se, num oásis de águas cristalinas, mesmo durante o período chuvoso, cercado pelo cerrado rupestre, campos, várzeas, mata de galeria, fauna e flora preservadas.
A Cachoeira do Rosário também tem várias piscinas naturais, gruta atrás da cachoeira, trilhas terapêuticas à sombra de árvores centenárias.
Tudo isso, em um trajeto circular com 1.600 metros no total de ida e volta.
O urutau-comum (Nyctibius griseus) é uma ave da família dos nictibídeos. Conhecido também como urutau, mãe-da-lua, urutau-pequeno, urutágua, Kúa-kúa e Uruvati (nomes indígenas – Mato Grosso). O nome urutau é tupi e significa “ave fantasma”. A mãe-da-lua é encontrada da região da Costa Rica à Bolívia e em todo o Brasil, bem como na Argentina e no Uruguai. Tais aves chegam a medir 37 cm de comprimento e possuem plumagem variando entre marrom ou cinzento e peito com desenho negro. Essa ave também pode ser encontrada na selva peruana.
Este Urutau foi fotografado na Cachoeira do Rosário chocando um único ovo neste tronco. O filhote nasceu e ficou durante um tempo, cresceu, voou e ganhou o cerrado.
Uma das mais belas lendas do folclore brasileiro é a do Urutau. O Urutau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos e dificilmente se deixa ver. Este pássaro habita na região norte e nordeste da Argentina, nas matas do Paraguai, no Norte do Uruguai e do Brasil, onde lhe são atribuídos vários nomes: Jurutaui na região amazónica; Ibijouguaçú entre os Tupis e Mãe-da-Lua entre os mineiros. Estas designações correspondem a diversas regiões linguísticas: à dos tupis e guaranis e à do idioma quichua. Pousado na ponta de um galho seco, fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite um canto bruxuleante que mais parece um lamento humano. Tem uma cabeça chata, olhos grandes e muito vivos, a boca rasgada de tal forma que os seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. A sua cor parda em tons de canela com riscas transversais e escuras permite-lhe adaptar-se perfeitamente ao galho da árvore, passando completamente despercebida. Este seu disfarce associado a uma perfeita imobilidade protegem-na dos seus predadores e permitem-lhe caçar as suas presas (besouros e borboletas) com uma grande facilidade.
O seu grito é, provavelmente, o mais pavoroso de quantos se conhecem no mundo das aves. Em forma de "hu-hu-hu", que se faz ouvir após o anoitecer, procura, a solidão mais espessa dos bosques, de onde faz desprender a sua voz cheia de lamentos. Para muitos, a sua voz é semelhante ao clamoroso lamento de uma mulher que termina com amortecidos "ais". O seu canto provoca, portanto, espanto e piedade aos que possam ouvi-lo e é também fantasmagórico. "Meu filho foi, foi, foi" - interpreta o povo.
A par da voz queixosa e plangente, uma quase invisibilidade, confere-lhe o carácter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, mas sim por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, o preservar das seduções e a pureza das jovens moças.
Conta-se que antigamente, matavam para esse fim uma dessas aves e tirava-se a pele que era, posteriormente, seca ao sol. Esta servia para os pais sentarem as suas filhas, nos três primeiros dias a partir do início da puberdade. No términus desse tempo, as jovens saíam "curadas", isto é, invulneráveis às tentações das paixões desonestas que as pudessem atrair. As qualidades sobrenaturais deste pássaro destacam-se nas crendices populares. As penas e a pele do urutau são para muitas pessoas bastante milagrosas. Assim, se para muitos o Urutau é, muitas vezes, associado a maus presságios, para outros e, segundo a mitologia Tupi-Guarani, trata-se de uma ave benfeitora (abençoada).
Conta a lenda que Nheambiú, uma bela moça, filha do Tuxaua da nação Guarani, se apaixonou profundamente por um bravo guerreiro Tupi chamado Cuimbaé, que havia sido feito prisioneiro pelos Guaranis.
Nheambiú pediu aos seus pais que consentissem no seu casamento com Cuimbaé. Porém, esse e os posteriores pedidos foram terminantemente negados, com a alegação de que Cuimbaé era um Tupi, ou seja, um inimigo mortal dos Guaranis.
Não suportando mais o sofrimento, Nheambiú desapareceu da Taba, causando um enorme alvoroço.
O velho cacique mobilizou então todos os seus guerreiros para que procurassem, por todo o lado, a sua preciosa filha.
Após uma longa busca, a jovem foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, como uma estátua de pedra. Ao vê-la, o pai sacudiu-a, mas ela não deu nenhum sinal de vida.
Então, o seu pai mandou chamar o feiticeiro da tribo, que a examinou dizendo o seguinte ao cacique: - Nheambiú perdeu a fala para sempre; só uma grande dor poderá fazer Nheambiú voltar ao que era.
Então começaram por informar a jovem índia de todas as notícias mais tristes possíveis: a morte do seu pai e a de todos os seus amigos.
No entanto, nada surtiu efeito. A jovem continuou inabalável e intacta.
Então o pajé da tribo aproximou-se e disse: - Cuimbaé acaba de ser morto.
Nesse mesmo instante, o corpo da jovem moça estremeceu todo e ela, soltando repetidos lamentos acabando por desaparecer da mata.
Todos os que ali se encontravam, cheios de dor, acabaram transformados em árvores secas, enquanto Nheambiú se transformou num Urutau ficando a voar, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda do seu grande amor.
Dizem que foi dessa lenda que se originaram algumas superstições populares relativamente ao Urutau.
Uma dessas lendas, fala-nos de Jouma, um cacique dos Mocovies (Guaranis) que , surpreende a Marramac, nos braços de um estrangeiro e o mata com flechas. Porém, perde posteriormente a razão e transforma-se num Urutau.
Segundo uma outra versão, o Urutau é um menino, órfão de pai e mãe, que passa a vida muito triste, chorando a perda dos seus progenitores. Fita o Sol e a Lua e, quando os astros desaparecem, não faz mais do que lamentar-se.
Contava uma lenda também, que o urutau foi uma pessoa que não quis visitar o Menino Jesus, e por isso hoje chora arrependido de Novembro a Janeiro.
Outra lenda diz que "carta de amor escrita com pena de Urutau tem sempre resposta favorável".
Já outra diz que a pele dessa ave preserva as donzelas dos deslizes e as protege contra os alheios de intenções menos honestas.
Devido à sua existência misteriosa, o Urutau além das lendas era objecto de práticas supersticiosas. Os Guaranis acreditavam que partindo-se as asas e as pernas do pássaro durante a noite, no dia seguinte ele amanhecia perfeito. Segundo algumas crendices indígenas, esta ave nocturna revestia-se de atribuições que são inerentes ao Cupido. As penas do Urutau eram eficazes talismãs de amor. Assim sendo, aquele que conduzir uma de suas penas, atrai a simpatia e o desejo do outro sexo; que se consegue qualquer pretensão com a escrita com uma de suas penas. Acreditava-se ainda, que as suas penas e as suas cinzas eram remédios contra doenças.
Há também quem diga que, na Amazónia, há o costume de varrer o chão, sob o véu das noivas, com as penas da cauda do Jurutauí (designação pela qual o Urutau é conhecido nesta região), a fim de se garantir para as futuras esposas todas as virtudes do mundo.
Outra das crenças mais curiosas no poder sobrenatural do Urutau é a que faz referências àsua posição face ao ciclo solar. Quando o sol nasce o pássaro volta a sua cabeça para ele e acompanha-o no seu percurso. Quando o astro caminha para o Poente, começa então a entoar o canto dolorido "U - ru - tau". Conta-se também que, Couto de Magalhães elevou o Urutau à categoria dos deuses, reservando-lhe o segundo lugar da sua teogonia Tupi. Todas essas considerações, entretanto, levam-nos a classificar o Urutau como um pássaro feérico (mágico), que existe por direito próprio. O Urutau é um pássaro que pertence à Ordem dos Caprimulgiformes, família dos Nyctibiidae. No Brasil, ocorrem as seguintes espécies: Nyctibius grandis (Urutau, Mãe-da-Lua Gigante); Nyctibius griseus (Urutau) e Nyctibius aethereus (Mãe-da-Lua Parda). “
Por The Lilac Breasted Roller from Sullivans Island, United States - Common Potoo (Nyctibius griseus), CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3359738
Comentários sobre Urutau | Conheça suas lendas e mitos
Urutau no Cerrado: Lendas, Hábitos e o Mistério do “Pássaro-Fantasma”
Se você planeja conhecer Pirenópolis e suas belezas naturais, fique atento às noites silenciosas do Cerrado: o canto melancólico que ecoa pode ser do urutau (também chamado de mãe-da-lua). Este pássaro, cercado de mitos e lendas, foi até mesmo fotografado na Cachoeira do Rosário chocando um único ovo em um tronco seco — de onde o filhote nasceu, cresceu e, após algum tempo, partiu para explorar o cerrado.
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Camuflagem e Curiosidades
O urutau é mestre na arte de se confundir com o ambiente. Com plumagem parda em tons de canela e riscas escuras, ele fica imóvel em galhos secos, parecendo um pedaço de madeira. Essa camuflagem o protege de predadores e também facilita a caça de insetos noturnos, como besouros e mariposas.
Um “mau hálito” que atrai alimento
Durante o período de incubação — quando ele não quer se afastar do ovo — o urutau pode simplesmente abrir o bico e emitir um odor peculiar que atrai insetos. Dessa forma, consegue se alimentar sem precisar abandonar o local de choco.
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Hábitos Alimentares e Reprodução
• Alimentação: O urutau tem hábitos noturnos e se alimenta principalmente de insetos. Fora do período de incubação, costuma voar em silêncio para capturar presas.
• Incubação: Geralmente põe apenas um ovo, acomodado em uma depressão do tronco. Enquanto choca, mantém-se imóvel, confiando na camuflagem para não ser descoberto.
• Filhote: Após o nascimento, o filhote permanece no galho ao lado da mãe até estar pronto para voar, como foi registrado na Cachoeira do Rosário.
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Lendas e Crenças Populares
As histórias sobre o urutau são ricas em simbolismo. Algumas tradições acreditam que seu canto, descrito como um lamento, seria o pranto de uma pessoa que perdeu um grande amor e foi transformada em ave. Em narrativas indígenas Tupi-Guarani, conta-se que a jovem Nheambiú se apaixonou por um guerreiro inimigo; impedida de viver esse amor, ela se transformou em urutau e passou a vagar pela mata chorando.
Poderes e Crendices
• Penas e Pele: Em algumas regiões, acredita-se que a pele ou as penas do urutau protegem jovens moças de más intenções e até afastam doenças.
• Cartas de Amor: Há quem diga que escrever cartas com uma pena de urutau garante respostas favoráveis.
• Proteção às Noivas: Em certos lugares, varrer o chão sob o véu das noivas com penas do urutau atrairia boas virtudes ao casamento.
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Um Canto Assustador e Hipnótico
O urutau tem fama de emitir um dos sons mais “assombrados” do mundo das aves. Seu canto, um “hu-hu-hu” prolongado, ecoa após o anoitecer e lembra um lamento humano, despertando fascínio e até medo em quem o ouve pela primeira vez. Não à toa, muitas pessoas associam a ave a presságios e mistérios sobrenaturais.
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Onde Encontrar em Pirenópolis
Além de ser avistado em diversas áreas de mata, o urutau foi visto de forma especial na Cachoeira do Rosário, chocando seu ovo em um galho seco. Se você deseja observar (ou simplesmente ouvir) o pássaro:
1. Procure galhos secos ou troncos expostos durante o dia — ele pode estar ali, totalmente imóvel.
2. Esteja atento às noites de lua cheia: é quando seu canto costuma ecoar de forma mais marcante.
3. Respeite a vida selvagem: mantenha distância, não toque na ave nem no local de choco.
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Experiência Turística Inesquecível
Visitar Pirenópolis e conhecer a fundo a história do urutau é mergulhar em um universo de lendas e biodiversidade. Seu canto enigmático, sua camuflagem quase perfeita e as crendices que o cercam tornam o “pássaro-fantasma” uma atração imperdível para quem ama natureza e cultura. Na próxima vez que estiver na região, reserve um tempo para ouvir — ou quem sabe até avistar — esse pássaro fascinante, símbolo de mistério e encanto do nosso Cerrado.